DEV, quem se importa com seus títulos e quais atitudes que te fazem mais satisfeito ou bem pago ?

Introdução

Sempre me pergunto qual é a importância de um diploma universitário para conseguir um emprego em TI. Faculdade é importante ? Mestrado e doutorado são valorizados?

Também gostaria de obter uma fórmula para obter satisfação e um salário acima da média. Quais são os atitudes/mentalidade daqueles que têm maior satisfação e maior salário?

Para responder essas perguntas, analisei o conjunto de dador da survey de 2017 dos usuários do site Stack Overflow. A pesquisa tem mais de 150 perguntas sobre mais de 51.000 entrevistados de diferentes partes do mundo. No questionário, os indivíduos responderam questões sobre a profissão, carreira, educação, hábitos, situações hipotéticas no mercado de trabalho, dentre outras.

No entanto, meu interesse aqui é responder as seguintes perguntas:

  1. Qual a importância de um diploma na hora de contratar um desenvolvedor?
  2. Quais atitudes interferem na satisfação com a carreira?
  3. Quais atitudes interferem no salário?

# Para respondê-las, selecionei apenas os profissionais que trabalham em tempo integral como desenvolvedores de software.

Parte I: Qual a importância de um diploma na hora de contratar um desenvolvedor?

O gráfico de barras abaixo mostra as respostas a pergunta “How important should be Education credentials in a hiring process?”, onde cada cor representa um nível de formação (sem diploma universitário, bacharel, mestre ou doutor), e a altura das barras as porcentagens de indivíduos para cada resposta (Not at all important, Not very important, Somewhat important, Important, ou Very important).

Figure 1. Qual a importância de um diploma na hora de contratar um desenvolvedor?
  • Comparando as alturas das barras, vemos que a maior parte (em torno de 50%) dos desenvolvedores sem diploma universitários (barras azuis) consideram o diploma “sem importância” ou “sem muita importância”.
  • No extremo oposto, temos aqueles com doutorado (barras vermelhas), cujo cerca de 80% da respostas estão entre “somewhat import” , “important” e “very important”.
  • Os demais, aqueles com bacharelado ou mestrado (barras laranjas e verdes, respectivamente), tiveram porcentagens similares entre si e a concentração das repostas foi maior entre “not very important” , “somewhat important” e “important”, o que representaria uma posição intermediária entre os sem diploma e os com doutorado. No entanto, a concentração dos com mestrado é maior que as dos com bacharelado nas repostas que atribuem maior importância.

Assim, existe uma tendência de que quanto maior for o nível acadêmico do recrutador, maior a importância que o mesmo atribuirá à formação educacional do candidato.

Isso significa que suas chances de ser contratado aumentam quando o recrutador tem uma formação parecida com a sua!

Parte II: Quais atitudes interferem na satisfação com a carreira?

Diferentes hábitos interferem no grau de satisfação com a carreira de um desenvolvedor (classificações de 0 a 10 dada por cada indivíduo). O questionário do StackOverflow aborda algumas questões por meio de afirmações, nas quais o entrevistado diz o quanto concorda com elas. Essas afirmações refletem a mentalidade dos desenvolvedores e por isso foram escolhidas na investigação sobre a satisfação.

Alguns exemplos dessas afirmações são:

  • “I don’t really care what I work on, so long as I’m paid well.”
  • “I think of myself as competing with my peers.”
  • “It’s harder to collaborate with remote peers than those on site.”

Nos gráficos a seguir, temos as médias de satisfação representadas por círculos de acordo com a concordância com a afirmação, sendo o intervalo de confiança dessas médias representado pelas linhas verticais.

Figure 2. Atitudes que interferem positivamente na Satisfação com a carreira.

Nesse caso, nota-se que, na média, a satisfação com a carreira tende a aumentar a medida que os desenvolvedores:

  • Gostam de depurar.
  • Gostam de se desafiar.
  • Levam o trabalho a sério.

Já nos próximos gráficos vemos uma tendência oposta: na média, a satisfação diminui a medida que os desenvolvedores:

  • Não gostam de manter o código alheio.
  • Não entendem muito sobre computadores.
  • Têm dificuldade de comunicar suas ideias.
Figure 3. Atitudes que interferem negativamente na Satisfação com a carreira.

Portanto, se você quer ter mais satisfação na carreira, você pode tentar mudar seu mindset! Tente gostar mais de depurar, de manter o código alheio e de se desafiar. Procure levar o trabalho mais a sério também, assim como melhorar suas habilidades de comunicação e entender um pouco mais sobre computadores.

Parte III: Quais atitudes interferem na média do salário?

O primeiro gráfico mostra que, em média, o salário tende a aumentar a medida que os desenvolvedores cultivam comportamentos como:

  • Gostar de depurar.
  • Entregar primeiro e otimizar depois.
  • Levar o trabalho muito a sério.
Figure 4. Atitudes que interferem positivamente no Salário.

Além disso, o gráfico abaixo mostra que os desenvolvedores que cultivam comportamentos como,

  • Não gostar de manter o código alheio.
  • Não entender muito sobre computadores.
  • Dificuldade de comunicar suas ideias.

tendem a receber salários mais baixos!

Figure 5. Atitudes que interferem negativamente no Salário.

Dessa forma, para aumentar seu salário você pode cultivar atitudes como gostar de depurar, gostar de manter o código alheio, comunicar-se bem com seus pares, levar o trabalho mais a sério, entregar as tarefas primeiro e só depois otimizá-las e aprender mais sobre computadores. Fácil, não?!

Conclusões

Como já esperado, a importância das credenciais educacionais de um desenvolvedor é enviesada pela titulação do recrutador. Quanto a isso, o que você pode fazer numa entrevista de emprego é tentar “impressionar” as pessoas certas. Seu doutorado não vale tanto quanto você pensa para um bacharel!

Um outro ponto é que, com exceção de “gostar de se desafiar” e “entregar primeiro e otimizar depois”, os comportamentos que impactam na satisfação com a carreira são os mesmos que impactam nos salários, seguindo a mesma tendência de aumento ou decréscimo.

É possível que essas semelhanças tenham a ver com a existência de uma correlação entre salário e satisfação. Por exemplo, se indivíduos com um comportamento “X” são mais bem pagos, o salário também pode estar contribuindo com a satisfação.

Por fim, cabe ressaltar que as descobertas aqui são observacionais, não o resultado de um estudo formal.

Para ver mais sobre essa análise, consulte o link para meu Github disponível aqui.

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Analista de Dados e defensora da Ciência

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Daniela Brasil

Daniela Brasil

Analista de Dados e defensora da Ciência